UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E AGROECOLOGIA: A PERCEPÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
agricultura familiar; análise de conteúdo dirigida; justiça socioambiental; APA da Serra da Mantiqueira.
A percepção ambiental constitui um elemento central para compreender como diferentes grupos sociais interpretam a natureza, organizam suas práticas produtivas e atribuem sentidos à conservação. Em Unidades de Conservação da Natureza (UCs), onde coexistem agricultores agroecológicos, orgânicos e convencionais, investigar essas percepções torna-se ainda mais relevante, pois tais áreas articulam proteção da biodiversidade, produção agrícola e modos de vida tradicionais. A agroecologia, nesse contexto, destaca-se como abordagem capaz de integrar produção de alimentos, sustentabilidade ecológica e justiça socioambiental, contribuindo para a construção de territórios mais resilientes. A pesquisa parte das seguintes questões: como agricultores/as agroecológicos/as, orgânicos/as e convencionais, residentes em uma UC, percebem o ambiente onde vivem e produzem? Em que aspectos suas percepções diferem? E como tais diferenças podem orientar políticas públicas conservacionistas mais eficazes e socialmente justas? Para isso, o objetivo geral consiste em analisar a contribuição da percepção ambiental de agricultores/as agroecológicos/as, orgânicos/as e convencionais, inseridos em seis municípios da Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira: Piquete/SP, Guaratinguetá/SP, São Bento do Sapucaí/SP, Delfim Moreira/MG, Itamonte/MG e Marmelópolis/MG, na construção de políticas públicas conservacionistas. A metodologia combina revisão de escopo com pesquisa empírica qualitativa e exploratória. A coleta de dados empíricos utiliza questionários estruturados com escala do tipo Likert, organizados em sete dimensões de percepção ambiental: Naturalista, Antropocêntrica, Utilitarista, Histórico-cultural, Globalizante, Romântica e Socioambiental, complementados por questões abertas analisadas por meio de análise de conteúdo dirigida. Os resultados parciais, obtidos até o momento da qualificação, estão sendo integrados por meio de uma matriz FOFA adaptada ao diagnóstico socioambiental, identificando forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas às percepções e práticas dos/as agricultores/as. Espera-se contribuir para políticas públicas mais sensíveis às especificidades socioambientais de territórios protegidos, reconhecendo os saberes locais e fortalecendo o protagonismo das comunidades rurais na gestão ambiental.