DIAGNÓSTICO TEMPORAL DA CONTRIBUIÇÃO DO SETOR RODOVIÁRIO BRASILEIRO NAS EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA
GEE; ACV; Biocombustíveis.
O setor de transporte rodoviário brasileiro é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, concentrando a maior parcela das emissões do subsetor de transportes e apresentando forte dependência histórica de combustíveis fósseis. Ao longo das últimas décadas, políticas públicas de diversificação da matriz energética, avanços tecnológicos das frotas veiculares e ampliação do uso de
biocombustíveis promoveram transformações no perfil de consumo energético e nas emissões associadas ao setor, tornando necessária uma análise histórica dessas mudanças. Este estudo tem como objetivo estimar temporalmente as emissões de GEE entre 1970 e 2023 associadas ao setor de transporte rodoviário brasileiro, considerando a contribuição dos estados, as principais etapas do ciclo de vida associadas ao consumo de
biocombustíveis, as emissões por categoria da frota veicular e por tipo de combustível, bem como a influência da mudança de uso do solo nas emissões associadas ao consumo de biocombustíveis. Foram utilizados dados históricos de consumo de combustíveis, frota veicular e uso da terra para aplicação de técnicas de análise do ciclo de vida (ACV) utilizando a abordagem atribucional e considerando o escopo do “poço à roda”. Foram
analisados emissões associada à Gasolina A, Diesel A, Etanol Anidro, Etanol Hidratado e Biodiesel. Para os biocombustíveis, foram elaborados Inventários de Ciclo de Vida contemplando as etapas agrícola, industrial, de distribuição e de uso, utilizando a ferramenta RenovaCalc. A série histórica foi segmentada em cinco períodos para representar marcos tecnológicos e regulatórios distintos. As emissões associadas à mudança do uso do solo foram estimadas separadamente, com base na expansão das culturas de cana-de-açúcar e soja. Os resultados preliminares indicam uma redução progressiva dos fatores de emissão dos biocombustíveis ao longo do tempo, especialmente do etanol de cana-de-açúcar, em função do aumento da produtividade
agrícola, da eliminação gradual da queima da palha e dos ganhos de eficiência industrial. Observa-se também uma redução da intensidade de emissões das frotas veiculares, no entanto, o crescimento expressivo da frota veicular e do consumo de combustíveis resultou no aumento das emissões totais do setor.