TECNOLOGIA E SOCIEDADE: O JOGO DIGITAL COMO "TERCEIRO ESPAÇO" EM UMA PROPOSTA E PROVA DE CONCEITO DE UM FRAMEWORK DE DESIGN AFETIVO-SENSORIAL PARA A NEURODIVERSIDADE
Design Afetivo-Sensorial; Neurodiversidade; Jogos Digitais Inclusivos; Teoria Ator-Rede; Prova de Conceito Computacional.
A presente investigação, desenvolvida no Programa de Mestrado em Desenvolvimento, Tecnologias e Sociedade (DTECS/UNIFEI), desafia o paradigma do design funcional que marginaliza crianças neurodivergentes no ambiente digital. O problema central reside no "desencontro" (mismatch) gerado por interfaces normativas, que negligenciam a variabilidade neurológica e impõem barreiras sensoriais severas. Para romper com essa lógica excludente, este estudo propõe fundamentar e sistematizar o Framework de Design Afetivo-Sensorial (DAS). O objetivo é reposicionar a tecnologia de uma ferramenta de treinamento cognitivo para um actante mediador focado no acolhimento afetivo. Através de uma pesquisa teórico-conceitual articulada à engenharia de software inclusiva, o framework estrutura-se em quatro camadas interdisciplinares (Pedagógica, Afetivo-Sensorial, Motivacional e Analítica). A grande contribuição tecnológica reside na tradução de parâmetros clínicos do DSM-5 em heurísticas de programação e game design na plataforma Unity3D. A viabilidade técnica do modelo é atestada pelo desenvolvimento do protótipo de jogo digital "Meu Mundo", atuando como uma Prova de Conceito (PoC) laboratorial. Ao comprovar a capacidade de manipulação computacional de variáveis afetivo-sensoriais em tempo real (paletas de cores, ritmo de jogo, desafios e paisagens sonoras lo-fi), a pesquisa entrega uma arquitetura de software parametrizável e prepara o terreno metodológico para futuras validações empíricas. O resultado é um modelo de tecnologia social voltado à segurança neurológica e à autonomia de sujeitos historicamente invisibilizados.