Sistemas Híbridos Supramoleculares Utilizando Ciclodextrinas Para Liberação de Cloridrato de Amitriptilina
Compostos de Inclusão; Termodinâmica; Nanoesponjas; Polímeros Reticulados; Hidrogéis de PVA; Liberação Controlada.
O Cloridrato de Amitriptilina (AMT) é um antidepressivo tricíclico utilizado no tratamento da depressão, porém apresenta diversos efeitos colaterais associados à administração oral, além de biodisponibilidade limitada. Nesse contexto, sistemas híbridos de liberação baseados em interações supramoleculares, utilizando ciclodextrinas (CDs), têm se mostrado estratégias promissoras para modular a liberação de fármacos e minimizar essas limitações. Esses sistemas combinam compostos à base de CDs, como compostos de inclusão (CIs) e nanoesponjas (NECDs), com matrizes poliméricas biocompatíveis. Neste estudo, investigaram-se as interações entre o AMT e diferentes CDs naturais e modificadas. Os CIs no estado sólido foram obtidos por liofilização e caracterizados por espectroscopia de absorção na região do infravermelho (FTIR-ATR). Em solução, as interações foram avaliadas por calorimetria de titulação isotérmica (ITC) e espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN). Os resultados de ITC indicaram maior afinidade e estabilidade para o sistema AMT:βCD, enquanto os experimentos de RMN confirmaram a inclusão, justificando a escolha da βCD como precursora para a síntese das NECDs. Foram preparadas duas NECDs utilizando hexano-1,6-diamina (am6) e dodecano-1,12-diamina (am12) como agentes reticulantes. As NECDs foram caracterizadas por técnicas espectroscópicas, térmicas e coloidais. A incorporação do AMT foi confirmada por ensaios de adsorção e microscopia eletrônica de varredura (MEV), e os estudos de dessorção demonstraram liberação superior a 90% do fármaco em água. Hidrogéis de poli(álcool vinílico) (PVA) foram utilizados como matriz polimérica, sendo avaliadas diferentes concentrações de polímero quanto à morfologia, intumescimento e cinética de liberação. Os sistemas híbridos contendo NECDs em hidrogéis de PVA 20% apresentaram redução do efeito burst e liberação prolongada do AMT, evidenciando o potencial desses materiais como sistemas de liberação controlada.