Cálculo de precipitação máxima provável (PMP) na região de Juatuba-MG e gestão de risco para a represa Serra Azul - COPASA
PMP; CMP; Gestão de Risco; FMECA; Teoria dos Valores Recordes.
Um dos grandes desafios da hidrologia é a definição da chuva de projeto, principalmente para o dimensionamento de grandes estruturas hidráulicas, levando em conta todas as incertezas presentes no processo de transformação chuva-vazão. Sob esse contexto, apresenta-se o conceito da maior altura de chuva provável para uma dada duração em uma bacia ou em um ponto específico em um dado intervalo de tempo durante o ano, a Precipitação Máxima Provável (PMP). Nesse trabalho, tal variável foi calculada por meio de uma metodologia estatística e suas variações em termos de curva envoltória de Km e foi desdobrada em sua respectiva Cheia Máxima Provável (CMP) por meio de um método de transformação de chuva em vazão. A CMP está ligada diretamente ao dimensionamento e à verificação de estruturas hidráulicas, pois é definida como a maior cheia provável de ocorrer. Nesse sentido, outro desdobramento realizado, a partir do cálculo da PMP, é o auxílio na gestão de risco da Represa Serra Azul, operada pela COPASA, localizada em Juatuba, Minas Gerais. Para isso, foi realizado o estudo de trânsito de cheias para o reservatório da estrutura, considerando a geometria do seu extravasor, e foi utilizado o método semiquantitativo de Análises de Modos de Falhas, Efeitos e Criticidade (FMECA) para a definição do risco hidrológico, em termos de probabilidade de falhas hidrológica-hidráulicas, que a estrutura supracitada possui. Dessa forma, o cálculo da PMP, aliado aos seus desdobramentos, como a CMP e o auxílio na gestão de risco de uma estrutura hidráulica, permitem a minimização dos impactos socioambientais provenientes de um possível desastre. Ademais, foi aplicada a teoria dos valores recordes às séries de dados observados e foi feita a análise de frequência para essas séries considerando as mesmas estações utilizadas para o cálculo da PMP visando, desse modo, o cálculo de quantis de precipitação para Tempos de Retorno (TR) específicos. A aplicação dessa teoria e a definição dos quantis de chuva para determinadas recorrências tiveram como objetivo a verificação de uma possível extrapolação dos valores de PMP’s calculados indicando, portanto, que a PMP pode não se confundir com a maior altura de chuva provável, ou seja, pode não possuir probabilidade de excedência nula, devendo, desse modo, estar associada a uma recorrência específica.