CONFLITOS PELO USO DOS RECURSOS HÍDRICOS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SUAÇUÍ GRANDE: ANÁLISE E ESTRATÉGIAS DE CAPACITAÇÃO DA COMUNIDADE
Escassez hídrica; Gestão; Geoprocessamento
A presente dissertação tem como foco a Bacia Hidrográfica do Rio Suaçuí Grande, localizada na porção nordeste do estado de Minas Gerais, buscando compreender os usos múltiplos da água, a qualidade hídrica e os desafios para uma gestão integrada e participativa. O estudo teve como objetivo geral avaliar a disponibilidade hídrica da bacia frente aos usos outorgados, correlacionando com a qualidade da água monitorada e propondo estratégias de gestão que considerem as características socioambientais da região. A metodologia adotada incluiu levantamento de dados secundários junto a instituições como o IGAM, ANA e IDESISEMA, análise de índices como o IQA (Índice de Qualidade da Água) e o ICG (Índice de Conformidade da Gestão), além do estudo das vazões de referência e das outorgas emitidas para diferentes finalidades. A estação RD084 foi utilizada como ponto central de referência para a análise da qualidade da água no período de 2008 a 2023, sendo observada, ao longo dos anos, uma predominância da classificação “médio”, com registros pontuais de “bom”, o que evidencia a influência direta dos usos do solo e da ocupação do território sobre a condição dos corpos hídricos. O trabalho apontou que os usos mais significativos da água na bacia estão relacionados à irrigação, dessedentação de animais e abastecimento público, com destaque para a microbacia E, que apresentou o maior número de usos outorgados, revelando um cenário de potencial conflito em períodos de escassez hídrica. Diante disso, foram propostas estratégias de capacitação específicas para cada setor consumidor, com ênfase na promoção de práticas sustentáveis, tecnologias de reuso, eficiência hídrica e valorização do papel dos usuários na gestão participativa das águas. Como contribuição central, esta dissertação reforça que a gestão dos recursos hídricos vai além de aspectos técnicos: ela passa necessariamente por um olhar humanizado, que reconhece a água como direito, como elemento cultural e como símbolo de pertencimento. A partir de um diagnóstico claro e sensível, o trabalho oferece subsídios para políticas públicas mais justas e eficazes, fortalecendo o papel dos comitês de bacia e o engajamento da sociedade na construção de soluções coletivas para a preservação da água. A Bacia do Rio Suaçuí Grande, com toda a sua diversidade e complexidade, torna-se, assim, um espaço de aprendizado e de transformação.