Uso da modelagem de qualidade da água na gestão dos recursos hídricos aplicada à bacia do rio Santa Bárbara-MG.
QUAL-UFMG, qualidade da água, saneamento ambiental
A modelagem matemática da qualidade da água é essencial para avaliar o efeito do despejo de cargas poluentes em corpos hídricos. Ela possibilita a avaliação de cenários de intervenção, a aplicação de ações de controle, a verificação e quantificação do processo de autodepuração dos corpos d’água, além de permitir a simulação de cenários atuais e futuros da qualidade da água dos cursos hídricos. O principal objetivo desta pesquisa foi realizar a modelagen da qualidade da água do rio Santa Bárbara, a fim de dar suporte à gestão dos recursos hídricos. Para a modelagem matemática foram modelados os parâmetros oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), variações de nitrogênio (orgânico, amoniacal, nitrito e nitrato) e fósforo utilizando o modelo QUAL-UFMG. Adicionalmente, examinaram-se cenários futuros que levaram em conta o crescimento populacional na bacia hidrográfica, com previsões para o ano de 2033, onde no cenário 1 as sedes urbanas dos municípios de Barão de Cocais e Santa Bárbara tivessem implantado tratamento de esgoto para 90% de suas populações, já no cenário 2, como se todas as sedes urbanas dentro da área de estudo da bacia implantassem tratamento de esgoto para 90% de suas populações. No cenário atual, com excessão do fósfoto, todos os parâmetros estudados se mantiveram dentro dos limites estabelecidos para as águas de classe 2 da Resolução CONAMA 357/2005 em 100% do trecho estudado e apenas 7,6% para o fósforo. Para os cenários 1 e 2 em 2033, os parâmetros analisados se manteriam dentro dos limites estabelecidos para as águas de classe 2 da Resolução CONAMA 357/2005 em todo o trecho estudado para todos parâmetros, exceto o fósforo, que se manteve fora dos padrões em 92,4% ao longo do manancial objeto do estudo. Assim, verificou-se que, para uma melhor gestão dos recursos hídricos na bacia hidrográfica do rio Santa Bárbara é necessário além de intensificar o tratamento de efluentes e o controle sobre as fontes poluidoras, considerando a eficiência do tratamento de esgotos e o número de habitantes das principais cidades da bacia, é necessário também realizar o controle de poluições difusas decorrentes do uso e ocupação do solo (resíduos de atividades agrícolas, erosão do solo e sedimentos) oriundas de seus tributários.