Modelagem de inundações na área urbana litorânea utilizando Hec-HMS e Hec-RAS considerando influência das marés
Inundação urbana costeira. Influência da maré. Modelagem hidrológica e hidráulica. HEC-HMS. HEC-RAS.
As inundações em áreas urbanas litorâneas resultam da interação entre o escoamento pluvial e o regime de marés, sendo frequentemente agravadas pela expansão da urbanização e pela impermeabilização do solo. Nesse contexto, o dimensionamento de canais de drenagem costeiros que desconsidera a influência da maré pode subestimar os riscos de inundação. Este trabalho teve como objetivo avaliar a influência da consideração, ou não, do nível da maré no dimensionamento e no comportamento hidráulico de um canal natural em região urbana litorânea, tomando como estudo de caso o Rio do Areal, no município de Itapema, Santa Catarina. Adotou-se abordagem quantitativa, integrando modelagem hidrológica e hidráulica. A modelagem hidrológica foi conduzida no software HEC-HMS, utilizando o método do Soil Conservation Service (SCS), o tempo de concentração de Kirpich e a chuva de projeto de Huff (3º quartil) para período de retorno de 100 anos. A modelagem hidráulica unidimensional foi realizada no software HEC-RAS, a partir de Modelo Digital de Terreno de 1 m de resolução. Foram simulados quatro cenários, combinando as condições atual e futura de urbanização com a presença ou ausência da maré como condição de contorno de jusante. A vazão de pico aumentou de 376,9 m³/s, na urbanização atual, para 438,3 m³/s na urbanização futura, incremento de aproximadamente 16%. A introdução da maré ampliou a área inundada em 45,4% na condição atual, passando de 12,77 ha para 18,57 ha, enquanto a urbanização futura, isoladamente, elevou essa área em 10,6%, evidenciando que a maré exerceu maior influência sobre a extensão da inundação do que a urbanização. A combinação de urbanização futura e maré resultou na condição mais crítica, com área inundada de 23,03 ha, valor 80,3% superior ao da condição de referência. Com base nesses resultados, propôs-se que o dimensionamento de canais litorâneos adote o nível de maré como condição de contorno de projeto a jusante, incorpore um coeficiente de majoração da vazão da ordem de 1,16 para o horizonte de urbanização futura e delimite a faixa de inundação a partir do cenário combinado mais crítico. Conclui-se que a desconsideração dos níveis de maré conduz à subestimação das áreas inundáveis, reforçando a necessidade de abordagens integradas no planejamento e no dimensionamento de sistemas de drenagem em regiões costeiras urbanizadas.