Avaliação do impacto das técnicas de bioengenharia de solos para estudos hidrológicos
Escoamento superficial, infiltração, experimentos em campo
A gestão de recursos hídricos enfrenta constantes desafios relacionados ao controle do escoamento superficial, em que soluções tradicionais de canalização frequentemente transferem picos de cheia para jusante. Embora a Bioengenharia de Solos surja como uma técnica compensatória promissora, sua aplicação como infraestrutura hidráulica em projetos de drenagem ainda é limitada pela carência de parâmetros hidrológicos quantitativos consolidados. Diante disso, esta pesquisa objetiva avaliar o desempenho destas técnicas na mitigação de eventos extremos, analisando seus impactos na vazão de pico, na geração do escoamento superficial, nas abstrações iniciais, na taxa de infiltração e no tempo de concentração em bacias hidrográficas. A metodologia estruturou-se, inicialmente, em uma revisão sistemática da literatura para o mapeamento do estado da arte. A etapa prática compreende um delineamento experimental em campo desenhado em múltiplas escalas de análise. A primeira abrange o monitoramento hidrológico contínuo, sob condições de chuva natural, de uma microbacia de 8.000 m² e de três parcelas de 18 m² com diferentes tipos de revestimento. A segunda etapa foca em avaliações sob condições controladas, mediante a execução de ensaios com simulador de chuva artificial aplicados a cinco parcelas experimentais de 6 m², operando sob duas intensidades pluviométricas distintas. Para viabilizar a aquisição dos dados de escoamento, desenvolveu-se uma infraestrutura eletrônica autônoma de baixo custo (data loggers baseados em Arduino), integrando medições pluviométricas por evento e o monitoramento automatizado do nível d'água em vertedores triangulares utilizando sensores ultrassônicos. Além disso, o impacto da vegetação na dinâmica vertical da água no solo também será avaliada (escala pontual): ensaios com infiltrômetro de duplo anel serão conduzidos sobre os diferentes revestimentos do solo para a modelagem matemática da capacidade de infiltração (Equação de Horton). Como resultados esperados, busca-se comprovar a atuação da vegetação na redução de parâmetros hidrológicos clássicos, como o Coeficiente de Escoamento Superficial (C) e o Curve Number (CN). Além disso, almeja-se verificar a sua capacidade de aumentar as abstrações iniciais e amortecer hidrogramas, fornecendo dados essenciais para a adoção de parâmetros seguros no dimensionamento de estruturas hidráulicas. Com isso, espera-se evitar superdimensionamentos e atestar, na prática, a eficiência hidrológica da Bioengenharia de Solos.