EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOB UMA PERSPECTIVA DECOLONIAL: ANÁLISE DE TESES E DISSERTAÇÕES
Educação Ambiental, Educação Científica, Temática Socioambiental, Decolonialidade, Estado da Arte.
A Educação Ambiental, fundamentada nos pressupostos da perspectiva decolonial e com aproximações aos conhecimentos da Educação Científica em uma dimensão crítica, se apresenta como uma possibilidade de resposta à colonialidade. Por outro lado, a colonialidade sustenta o capitalismo que assola a sociedade, acirrando as crises que, por sua vez, aprofundam as desigualdades socioambientais. Além disso, em uma relação dialética, as desigualdades socioambientais e o racismo ambiental se intensificam mutuamente. Sendo este um debate que tem estado presente na produção da pesquisa em Educação Ambiental e dada a importância de se conhecer as articulações entre essas perspectivas, nos interessa investigar teses e dissertações em Educação Ambiental. Com base nessas inquietações, a pesquisa tem como questão norteadora: Que relações têm sido construídas entre perspectiva decolonial e a Educação Ambiental em teses e dissertações defendidas no Brasil, considerando as aproximações com a Educação Científica? A fim de responder esta questão, destaca-se os seguintes objetivos de pesquisa: mapear as teses e dissertações em Educação Ambiental sob uma perspectiva decolonial, com aproximações à Educação Científica, considerando as características institucionais, geográficas, temporais, do contexto educacional e outras informações, e compreender as relações entre a Educação Ambiental, a perspectiva decolonial e as aproximações com a Educação Científica em teses e dissertações em Educação Ambiental defendidas entre 1981 e 2020 no Brasil. A pesquisa assume uma abordagem de natureza qualitativa, do tipo estado da arte, inserida no âmbito do Projeto de pesquisa “Estado da Arte da Pesquisa em Educação Ambiental no Brasil” – Projeto EArte. O procedimento metodológico adotado compreende, incialmente, a caracterização do corpus documental e, em seguida, a Análise de Conteúdo, conforme a perspectiva de Bardin (1977). A partir das análises, observou-se um crescimento na produção acadêmica das pesquisas analisadas, especialmente nos anos de 2017 e 2020. No que se refere à distribuição geográfica, identificou-se que a produção analisada está alocada em 6 estados e no Distrito Federal, sobressaindo os estados do Ceará (CE) e Mato Grosso (MT), com 2 (15,38%) produções acadêmicas cada, e do Rio de Janeiro (RJ), com 5 (38,46%) produções. Ainda, notou-se que o polo Sul–Sudeste é responsável por 50% do total dos estudos analisados. Em relação aos grupos de pesquisa, destacam-se os grupos GPEA (UFMT), GEAD (UFC), e GEASur (UNIRIO), que mais contribuíram com a pesquisa da temática analisada. Ao analisar as relações entre a Educação Ambiental e a perspectiva decolonial, considerando as aproximações com a Educação Científica observou-se que estas se dão a partir da Educação Ambiental como: crítica à racionalidade científica moderna e à colonialidade do saber; valorização e articulação entre saberes marginalizados; e ação educativa insurgente e enraizada em territórios e lutas sociais. Considera-se que as relações entre Educação Ambiental e perspectiva decolonial partem de uma crítica à ciência moderna e da necessidade de um diálogo entre diversos saberes, como indígenas, quilombolas e das mulheres quebradeiras de coco, que historicamente foram silenciados, e ainda reconhecem os movimentos sociais como ação educativa. Por sua vez, a Educação Científica é impulsionada a se transformar nesses processos, reafirmando a ideia da decolonialidade como um caminho outro para a Educação Ambiental.