Novos híbridos pirazol-imidazol/cumarina: síntese e avaliação da atividade tripanocida
Heterociclos; Síntese Orgânica; Pirazol; Cumarina; Doença de Chagas; Trypanosoma cruzi.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existe um grupo de 21 enfermidades, denominado Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), que afeta mais de 140 países. Estima-se que existam cerca de 1,4 bilhão de pessoas infectadas por ao menos uma dessas doenças. Dentre as DTNs, uma que merece destaque é a doença de Chagas (DC), cujo agente etiológico é o protozoário Trypanosoma cruzi. De acordo com a OMS, o número de pessoas infectadas pela DC é de aproximadamente 7 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo registrados cerca de 30 mil novos casos e 12 mil mortes por ano. Para o tratamento, atualmente existem apenas dois fármacos disponíveis: o benznidazol (BZ) e o nifurtimox (NF), ambos com baixa eficácia na fase crônica da doença. Além disso, devido aos efeitos colaterais há uma taxa de abandono próxima a 20%. Diante dessa problemática, nosso grupo de pesquisa vem desenvolvendo compostos heterocíclicos com potencial atividade tripanocida. Dentre os compostos já publicados, merecem destaque diversos híbridos pirazol-imidazolina e derivados 6-hidroxi-3-heterociclocumarinas, que apresentaram atividades in vitro similares ao BZ. Alguns destes, inclusive, seguiram para testes in vivo. Visando obter novos compostos com potencial ação tripanocida, neste trabalho o objetivo é sintetizar, caracterizar e avaliar a atividade tripanocida de 51 compostos: 1-aril-N-(3-(1H-imidazol-1-il)propil)-1H-pirazol-4-carboxamidas 1(a-q), 1-aril-N-(3-(4-nitro-1H-imidazol-1-il)propil)-1H-pirazol-4-carboxamidas 2(a-q) e 1-aril-1H-pirazol-4-carboxilatos de 3-(tiofen-3-il)cumarin-6-ila 3(a-q). Até o momento, foram sintetizados e completamente caracterizados 15 compostos da série 1(a-q), com rendimentos de 26-84%, além de 7 derivados da série 3(a-q) com rendimentos variando de 13-31%. Com relação à atividade antiprotozoária, os 15 derivados 1(a-q) foram testados contra a forma amastigota do T. cruzi, cujos valores de IC50 variaram de 31,51 ± 0,84 a > 100 μM. Nenhum dos compostos desta série, 1(a-q), apresentou citotoxicidade frente às células VERO (CC50 > 200 μM). Como perspectivas de trabalho, têm-se as sínteses dos demais compostos, além da avaliação da atividade tripanocida, contra as formas tripomastigota e amastigota do T. cruzi, e de citotoxicidade de todas as substâncias planejadas restantes 1-3(a-q).