TERRITÓRIO, ANCESTRALIDADE E PLANTAS MEDICINAIS: PRÁTICAS QUE FORTALECEM COMUNIDADES
Plantas medicinais. Comunidades rurais. Ancestralidade. Sustentabilidade. Conhecimento tradicional.
O cultivo e a manipulação de plantas medicinais, tais quais as Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) nas comunidades rurais têm se destacado como prática fundamental para a preservação do conhecimento tradicional e para a geração de alternativas sustentáveis de renda. Nos quintais rurais, espaços historicamente dedicados ao cultivo de espécies diversas, encontra-se um acervo vivo de saberes transmitidos entre gerações, que reflete tanto a relação profunda entre as famílias e o ambiente quanto o papel central das plantas medicinais no cotidiano comunitário. Nesse cenário, muitas constituem-se verdadeiros bancos de memória cultural, ancestral, biológica, da medicina alternativa e tradicional, baseando-se na Epistemologia do Fragmentação e da Complexidade dos Saberes. Esta pesquisa parte da necessidade de compreender como esses saberes podem ser fortalecidos e reconhecidos como parte essencial da identidade local, ao mesmo tempo em que oferece subsídios para a valorização econômica dessas práticas. O objetivo geral consistiu em analisar as potencialidades socioambientais, econômicas e culturais associadas quanto ao cultivo e à manipulação de plantas medicinais em comunidades rurais, buscando evidenciar sua relevância no fortalecimento das dinâmicas comunitárias. Como objetivos específicos, buscou-se identificar os tipos de plantas mais cultivadas e seus usos tradicionais, compreender a transmissão de conhecimentos entre moradores e avaliar as possibilidades de geração de renda por meio da produção artesanal e da comercialização desses produtos. A metodologia adotada envolveu pesquisa de campo com observação direta, entrevistas semiestruturadas e análise qualitativa das informações coletadas, permitindo compreender a percepção dos moradores sobre o valor simbólico, terapêutico e econômico das plantas medicinais. Espera-se que os resultados apresentem evidências de que a prática fortalece vínculos comunitários, contribui para a autonomia financeira das famílias e promova a preservação ambiental por meio do uso consciente dos recursos naturais. Considera-se que incentivar o cultivo e a manipulação de plantas medicinais representa não apenas uma estratégia de valorização cultural e de resgate da ancestralidade, mas também uma alternativa viável de desenvolvimento sustentável para comunidades rurais, reconhecendo o papel central que esses saberes desempenham na construção da identidade local e na promoção da dignidade social.