EFEITOS DA CURA PARCIAL NAS PROPRIEDADES DO COMPÓSITO FIBRA DE VIDRO/EPÓXÍ UTILIZADO NO ENCAPSULAMENTO DE INDUTORES DE POTÊNCIA
compósitos, fibra de vidro, epóxi, indutores
O uso de compósitos estruturais na fabricação de reatores de ar representa um avanço significativo na engenharia de equipamentos elétricos, pois combina alta resistência mecânica, baixo peso e excelente desempenho dielétrico. O presente trabalho abordou uma investigação acerca dos efeitos de diferentes tempos de permanência em temperatura ambiente antes da cura efetiva em estufa na fabricação de compósitos de resina epóxi e tecido plain weave de fibra de vidro, para uso no encapsulamento de reatores de núcleo de ar. Parte-se da hipótese que as condições de cura inicial, e possíveis interrupções no processo fabril, podem exercer influência nas propriedades mecânicas do compósito, afetando assim o desempenho dos indutores de potência em aplicações eletromecânicas críticas. Para tanto, laminados compósitos foram fabricados pela técnica de hand layup nas condições de cura estabelecidas para o experimento, acompanhado pela técnica de calorimetria exploratória diferencial. Foram determinados diferentes ciclos de cura para estudo: (i) cura em 120°C por 12h; (ii) pré cura de 1, 30, 80 e 120 horas em temperatura ambiente, e posterior cura em estufa em 120 °C por 12 horas e (iii) interrupções com intervalo de 2h no ciclo de cura em 120°C. Tais condições refletem cenários reais existentes no processo de fabricação de indutores de potência. As amostras dos laminados compósitos nas diferentes condições experimentais foram submetidas ao ensaio de cisalhamento interlaminar e análises térmicas, como meio de identificar se eventuais interrupções no processamento de indutores de potência afetam a qualidade do produto. Os resultados indicam que alterações no tempo de permanência do compósito em temperatura ambiente antes de submetido a condição de cura em estufa alteram significativamente a temperatura de pico exotérmico e entalpia de cura observadas em ensaio DSC apesar de não interferirem significativamente nos resultados de cisalhamento interlaminar. Apesar disso, interrupções no processo de cura tais que a matriz polimérica já tenha iniciado sua reticulação, são suficientes para reduzir significativamente a resistência ao cisalhamento interlaminar, indicando que os primeiros estágios da cura são determinantes para a formação de uma interface quimicamente contínua e de maior resistência.