MUDANÇAS NA COMUNIDADE MICROBIANA DO SOLO NOS SISTEMAS CONVENCIONAIS PARA SISTEMAS ORGÂNICOS DE CAFÉ
Microbiota do solo, Cafeicultura, Indicadores Biológicos, Sustentabilidade, Manejo do solo.
A agricultura sustentável busca harmonizar a produção de alimentos com a preservação ambiental, priorizando a agroecologia e os sistemas orgânicos em detrimento do manejo convencional, frequentemente causador de degradação edáfica e redução da biodiversidade. Nesse cenário, a microbiota do solo atua como um indicador biológico crucial, responsável pela ciclagem de nutrientes, sequestro de carbono e manutenção da fertilidade. O presente estudo teve como escopo comparar a influência dos sistemas de café convencional e orgânico sobre a biologia do solo, analisando biomassa, respiração, quociente metabólico (qCO2) e micorrizas arbusculares. As coletas foram realizadas em quatro áreas distintas de Cachoeira de Minas (MG) durante a estação seca, englobando cultivos orgânicos (sombreados e a pleno sol) e convencionais, incluindo um local com erosão visível. A metodologia abrangeu a medição de umidade, Índice de Estabilidade de Agregados (IEA), atividade e biomassa microbiana, além do cálculo do qCO2. Os dados revelaram diferenças estatísticas no IEA (p=0,015), biomassa (p=0,0153) e atividade microbiana (p=0,0122), com desempenho inferior no ponto 4, sugerindo menor funcionalidade do solo. O qCO2 não variou significativamente (p=0,2321). Conclui-se que o IEA e a biomassa mostraram-se indicadores mais sensíveis para distinguir a qualidade entre as áreas. Apesar das limitações amostrais e temporais, os achados fundamentam práticas de manejo mais conservacionistas e validam a importância dos bioindicadores na análise da saúde do solo.