EXTREMOS CLIMÁTICOS NO BRASIL: avaliação de dados, sensibilidade metodológica e mudanças observadas e projetadas
Extremos climáticos. Ondas de calor. Precipitação. Dados de precipitação em grade. Projeções climáticas. Brasil.
Esta tese investigou a ocorrência e as mudanças de extremos hidroclimáticos e térmicos no Brasil, abordando duas fontes complementares de incerteza em sua caracterização: a influência dos dados de precipitação e a influência dos critérios de identificação de ondas de calor. Em relação aos extremos hidroclimáticos, avaliou-se o desempenho dos dados CPC e ERA5 na representação da precipitação nas bacias do Madeira, Paraná e São Francisco, com validação estatística contra dados observados da ANA, identificação de eventos extremos de precipitação (p95) e de períodos secos e úmidos por meio do SPI-6. Os resultados indicaram que o CPC apresentou desempenho estatístico geral superior, com maior incerteza na sub-região do Alto Madeira, onde há poucas estações pluviométricas, e evidenciaram uma intensificação das condições de seca a partir de meados da década de 1990 nas bacias do Madeira e Paraná e a partir de 2010 na bacia do São Francisco. Em relação aos extremos térmicos, avaliou-se a sensibilidade da caracterização de ondas de calor no Brasil a quatro critérios metodológicos distintos, com base em dados de Tmax e Tmin do CPC e projeções futuras do conjunto multimodelo CMIP6 sob os cenários SSP2-4.5, SSP3-7.0 e SSP5-8.5. Os resultados mostraram que a frequência e a duração das ondas de calor foram mais sensíveis ao critério de identificação adotado do que a amplitude térmica, cujos principais padrões espaciais se mantiveram relativamente estáveis entre os quatro critérios avaliados. O Brasil Central e o norte da Amazônia destacaram-se por maior frequência e duração histórica, e a região entre Rondônia e o noroeste do Mato Grosso, por maior amplitude térmica. As projeções futuras indicaram intensificação contínua ao longo do século XXI, com a Amazônia Ocidental apresentando os maiores aumentos de frequência, o norte da Amazônia os maiores aumentos de duração e a transição Amazônia-Cerrado os maiores aumentos de amplitude térmica. Em conjunto, os resultados demonstram que a caracterização de extremos climáticos no Brasil é sensível às escolhas metodológicas, tanto na seleção de dados quanto nos critérios de identificação de eventos, embora padrões espaciais e temporais robustos indiquem mudanças consistentes na ocorrência e nas características dos extremos hidroclimáticos e térmicos no país. A ocorrência conjunta de secas e ondas de calor não foi avaliada nesta tese, constituindo direção para pesquisas futuras.