AGROECOLOGIA E AGRICULTURA FAMILIAR NO SUL DE MINAS GERAIS: UMA ANÁLISE INTEGRADA DAS PRÁTICAS DE MANEJO E SUSTENTABILIDADE E SAÚDE NOS AGROECOSSISTEMAS
agroecologia; agricultura familiar; saúde rural; relações de gênero; Sul de Minas Gerais.
A agroecologia tem se consolidado como uma abordagem científica, prática e política capaz de integrar conservação ambiental, produção sustentável de alimentos, promoção da saúde, justiça social e equidade de gênero. Em contraposição aos impactos socioambientais associados ao modelo agroindustrial convencional, os sistemas agroecológicos apresentam potencial para fortalecer a agricultura familiar, ampliar a autonomia dos agricultores e contribuir para a construção de sistemas alimentares mais resilientes e sustentáveis. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a sustentabilidade multidimensional dos sistemas agroecológicos da agricultura familiar no Sul de Minas Gerais, considerando as interações entre práticas de manejo agroecológico, conservação ambiental, aspectos produtivos, socioeconômicos, saúde, bem-estar e relações de gênero. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, articulando métodos quantitativos e qualitativos. Foram selecionados dez agroecossistemas familiares localizados em diferentes municípios do Sul de Minas Gerais, contemplando propriedades em distintos estágios de transição e consolidação agroecológica. A coleta de dados foi estruturada por meio de dois questionários semiestruturados. O primeiro, já aplicado, contempla aspectos produtivos, ambientais, sociais, econômicos e práticas de manejo agroecológico. O segundo, ainda em fase de aplicação, aborda condições de saúde, alimentação, ergonomia, qualidade de vida, relações de gênero e bem-estar das famílias agricultoras. Os dados serão analisados por meio da construção de indicadores de sustentabilidade, técnicas estatísticas e multivariadas, associadas à interpretação qualitativa das entrevistas. Por se tratar de uma pesquisa em andamento, os resultados preliminares evidenciam a diversidade dos sistemas produtivos, a adoção de práticas conservacionistas e diferentes níveis de inserção dos agricultores em redes de cooperação, comercialização e movimentos agroecológicos. Os resultados preliminares também indicam a relevância da agroecologia para o fortalecimento da autonomia produtiva, da segurança alimentar e da construção de relações mais sustentáveis entre sociedade e natureza. Na avaliação dos indicadores de sustentabilidade, as maiores médias foram observadas nas dimensões ambiental e de manejo, refletindo a adoção consistente de práticas agroecológicas pelos agricultores estudados. Em contrapartida, os menores índices foram registrados nas dimensões econômica e social, evidenciando desafios estruturais relacionados ao acesso a mercados, renda, políticas públicas e demais fatores socioeconômicos que extrapolam a esfera de atuação individual das famílias agricultoras. Espera-se que a conclusão da pesquisa contribua para ampliar a compreensão das relações entre agroecologia, sustentabilidade, saúde, bem-estar e equidade de gênero na agricultura familiar, fornecendo subsídios para políticas públicas, estratégias de desenvolvimento rural sustentável e fortalecimento dos sistemas agroecológicos no Sul de Minas Gerais.