Limiares de aquecimento global (1,5–4°C) e impactos na disponibilidade hídrica e na produtividade dos plantios de Eucalipto baseados em modelos climáticos do CMIP6
Acordo de Paris, NEX-GDDP-CMIP6, MZA-FAO, aquecimento global, plantios florestais
As plantações de Eucalyptus spp. enfrentam riscos crescentes diante das mudanças climáticas, especialmente em função da redução da disponibilidade hídrica e das alterações nos padrões espaciais de produtividade. Considerando que os compromissos atuais do Acordo de Paris podem ser insuficientes para limitar o aquecimento global a 1,5 °C. Está tese avaliou os impactos dos global warming levels (GWLs) de 1,5 °C e 2 °C, bem como de limares superiores de 3 °C e 4 °C, sobre a disponibilidade hídrica global e a produtividade potencial e atingível do eucalipto na América do Sul. Para a análise global da disponibilidade hídrica, foram utilizados dados diários de 30 modelos climáticos do Coupled Model Intercomparison Project Phase 6 e do NASA Earth Exchange Global Daily Downscaled Projections (NEX-GDDP-CMIP6), considerando os cenários SSP2-4.5 e SSP5-8.5. Primeiramente, foram determinados os anos em que os GWLs foram atingidos, e posteriormente, foi calculada a disponibilidade hídrica para cada GWLs. Os resultados indicam aumentos adicionais da temperatura do ar entre +0,5 °C e +3 °C, associados a padrões heterogêneos de precipitação (±150 mm ano⁻¹), resultando em maior evapotranspiração da cultura e real, aumento da deficiência hídrica e redução do excedente hídrico. Regiões como Brasil, África do Sul, sul da Europa, Índia, Tailândia e Austrália apresentam maior vulnerabilidade, podendo comprometer entre 30% e 89% da viabilidade econômica das plantações. Na escala regional sul-americana, a produtividade potencial (PPa) e atingível (PAa) foi calculada para o período de controle e período em que cada GWLs foram atingidos utilizando o Modelo da Zona Agroecológica da FAO (MZA-FAO), com dados climáticos de 10 modelos de alta resolução do NEX-GDDP-CMIP6. Embora a PPa apresente aumentos no sul do continente (até +75 m³ ha⁻¹ no GWL de 4°C), reduções expressivas predominaram em grande parte do Brasil, norte do Paraguai, leste da Bolívia e nas regiões setentrionais do continente nos cenários mais severos. A PAa demonstra reduções ainda mais intensas (até −150 m³ ha⁻¹), com quebra de produtividade de acima de 50%, especialmente sob GWLs de 3°C e 4°C. De forma integrada, os resultados evidenciam que o agravamento do aquecimento global intensifica o estresse térmico e hídrico, ampliando vulnerabilidades hidrológicas e produtivas das plantações de eucalipto. E reforçam a necessidade de estratégias de adaptação direcionadas, com ênfase na seleção de híbridos mais tolerantes ao estresse térmico, hídrico e fitossanitário, como E. urophylla × E. camaldulensis e C. torelliana × C. citriodora, bem como o fortalecimento de programas de melhoramento genético.