IMPACTOS DA OPERAÇÃO INTERMITENTE DE UHEs NA MORTANDADE DE PEIXES DEVIDO À SUPER SATURAÇÃO GASOSA
Saturação gasosa; Estabilização do Sistema Elétrico; Ictiofauna; Vertedouro; Operação de UHE.
A operação intermitente de Usina hidroelétrica (UHE) caracterizada por variações constantes nos níveis de água e vazão, altera as condições hidrodinâmicas nos reservatórios e rios a jusante. Esse cenário contribui para a aeração da água, especialmente durante a passagem por vertedouros, aumentando a dissolução de gases, como oxigênio e nitrogênio, este fato é agravado caso a UHE opere a fio d´água e com vertedouro de soleira afogada.
Esta operação pode gerar impactos significativos na fauna aquática, com destaque para a mortalidade de peixes causada pela supersaturação gasosa. Esse fenômeno ocorre quando a concentração de gases dissolvidos na água excede sua capacidade de saturação natural em determinadas condições de temperatura e pressão, resultando na supersaturação e consequentemente na formação de bolhas de gás nos tecidos dos peixes, o que pode desencadear problemas fisiológicos graves, como a embolia gasosa, comumente denominada como doença da bolha de gás (DBG).
A embolia gasosa obstrui a circulação sanguínea e provocando danos severos em órgãos vitais, como brânquias, bexiga natatória e sistema nervoso. O estresse gerado por essas condições também compromete o sistema imunológico dos peixes, aumentando sua vulnerabilidade a doenças.
A mitigação desses impactos requer a adoção de medidas estratégicas. O monitoramento contínuo da saturação de gases na água permite identificar condições de risco e agir preventivamente. Além disso ajustes na operação das UHEs podem minimizar variações abruptas de vazão e pressão, enquanto dispositivos de aeração controlada e sistemas de despressurização podem reduzir o excesso de gases dissolvidos. Adicionalmente, a criação de áreas de refúgio para os peixes fornece locais de proteção durante períodos críticos.
Portanto, essa tese objetivou estudar a formação da supersaturação gasosa, reproduzir este evento em nível laboratorial controlado e apontar formas de mitigação da mortandade. O estudo é um desafio multifacetado que demanda a colaboração entre engenheiros, biólogos, gestores ambientais e comunidades locais. A compreensão dos mecanismos envolvidos e a implementação de soluções técnicas e ambientais são essenciais para equilibrar a geração de energia hidrelétrica e a preservação da biodiversidade aquática.